Por Marcelo Dalle Teze
O crescimento de uma empresa não acontece por acaso. É consequência de decisões corretas, planejamento consistente, pessoas preparadas e comprometidas e, sobretudo, de disciplina para transformar estratégias em resultados.
Muitas empresas sabem aonde desejam chegar. A estratégia – quando existe – está na cabeça do gestor e de mais ninguém, virando o caos. Poucas, entretanto, conseguem manter a determinação necessária para percorrer o caminho que elas próprias estabeleceram coletivamente.
Planejar é definir o futuro desejado. Executar é assumir a responsabilidade de construí-lo. Controlar é assegurar que os esforços estejam produzindo os resultados esperados. A disciplina de fazer acontecer é uma das maiores virtudes de uma gestão empresarial e ela deve começar na alta diretoria. Não basta reunir pessoas, definir metas e estabelecer planos se, no cotidiano, as prioridades são esquecidas e os processos ignorados.
O problema se torna ainda mais grave quando a indisciplina começa na própria direção. O empresário que estabelece regras e depois as desrespeita enfraquece sua liderança, desautoriza seus gestores e compromete a cultura organizacional.
Processos e ações precisam ser construídos, documentados, compreendidos e seguidos. E cabe à diretoria ser a primeira a defendê-los. Naturalmente, processos podem e devem ser aprimorados, mas por decisões conscientes e não por improvisações permanentes.
Uma empresa não pode depender da memória, da vontade ou da presença constante de seu proprietário para funcionar adequadamente. Os melhores empresários não são aqueles que concentram todas as decisões, mas os que desenvolvem líderes capazes de decidir tão bem quanto eles, ou até melhor.
Isso exige humildade para reconhecer talentos, coragem para delegar responsabilidades e maturidade para abandonar a vaidade de ser sempre o dono da melhor ideia, da última palavra e da verdade absoluta ou um intolerante recentralizador nos primeiros erros que surgirem.
O empresário verdadeiramente líder não precisa ser o profissional mais inteligente da organização. Precisa ser o articulador de uma equipe preparada, comprometida e capaz de alcançar resultados extraordinários. E uma equipe campeã não se constrói apenas com boas intenções. Exige competências, responsabilidades claras, indicadores, acompanhamento, reconhecimento e consequências.
Há momentos em que o empresário precisa tomar decisões difíceis. Reorganizar funções, substituir lideranças despreparadas, corrigir comportamentos, rever privilégios e enfrentar situações que vêm sendo toleradas há tempo demais. Não tomar uma decisão também é decidir. E a omissão, frequentemente, custa mais caro do que a mudança que se procura evitar.
Outro princípio fundamental é compreender que o desenvolvimento empresarial precisa ser sistêmico. Não adianta ampliar agressivamente as vendas se a produção não consegue entregar, se o financeiro não sustenta o crescimento ou se as pessoas não estão preparadas. Ou ter pessoas “de confiança” que escondem problemas “embaixo do tapete”. O grande líder deve estar atento para o que ocorre em sua organização, inclusive dispondo de auditorias independentes vinculada diretamente à ele ou ao Conselho Gestor, quando existir.
Crescimento isolado não significa desenvolvimento. Muitas vezes, representa apenas a transferência de problemas de um departamento para outro. Uma empresa próspera precisa evoluir de maneira integrada, fortalecendo simultaneamente sua gestão comercial, financeira, industrial, tecnológica e humana. Nesse processo, a definição de prioridades torna-se decisiva. O empresário e seus líderes precisam distinguir aquilo que é importante daquilo que apenas ocupa tempo.
A matriz GUT, que considera Gravidade, Urgência e Tendência, constitui uma ferramenta valiosa para identificar problemas que exigem atenção prioritária e evitar a dispersão de esforços. Executar desesperadamente tudo o que aparece não é sinal de produtividade. Muitas vezes, é a demonstração mais evidente da ausência de prioridades e de uma gestão deficiente do tempo.
O gestor precisa compreender que nem toda atividade gera valor. Algumas são indispensáveis, outras precisam ser simplificadas, delegadas, automatizadas ou simplesmente eliminadas. Essa reflexão também deve alcançar o próprio empresário. Seu tempo, suas decisões, suas despesas e até seu comportamento precisam contribuir para a prosperidade do negócio.
A gestão financeira merece atenção especial. Crescer em faturamento sem preservar a liquidez pode colocar em risco uma empresa aparentemente bem-sucedida. E, além disso, o ciclo operacional envolvendo prazos com fornecedores, estoques e clientes, pode ser decisivo.
Liquidez não é dinheiro parado. É capacidade de honrar compromissos, enfrentar imprevistos, negociar melhor e investir no futuro com previsibilidade. O empresário precisa compreender que o caixa da empresa não é uma extensão de sua conta bancária pessoal. Pró-labores incompatíveis com a realidade do negócio e retiradas desproporcionais podem comprometer investimentos, capital de giro e até a sobrevivência da organização.
É preciso saber o que agrega valor, o que consome recursos sem retorno e o que efetivamente contribui para a geração sustentável de riqueza. Da mesma forma, não basta exigir comprometimento dos colaboradores se a direção não demonstra coerência entre aquilo que fala, aquilo que planeja e aquilo que pratica.
Liderar é mobilizar pessoas em torno de objetivos compartilhados, desenvolver suas capacidades e criar condições para que entreguem resultados cada vez melhores. A verdadeira liderança não se mede pela quantidade de decisões centralizadas, mas pela capacidade de formar pessoas que assumam responsabilidades e façam a organização prosperar.
Empresas que alcançam patamares superiores de performance não são necessariamente aquelas que possuem mais recursos. São aquelas que conseguem alinhar estratégia, pessoas, processos, disciplina e resultados. O futuro de uma organização depende muito menos da genialidade isolada de seu proprietário e muito mais da inteligência coletiva que ele consegue desenvolver.
O empresário que deseja transformar sua empresa precisa, antes de tudo, estar disposto a transformar sua própria maneira de liderar. Porque, no mundo empresarial, planejar demonstra intenção, executar demonstra competência, controlar demonstra responsabilidade e desenvolver pessoas demonstra visão de futuro.
No fim, o que transforma uma empresa não é aquilo que seus dirigentes sabem, prometem ou planejam. É aquilo que, com disciplina, coragem e determinação, conseguem fazer acontecer.
Marcelo Dalle Teze
Consultor Empresarial – www.emxbrasil.com.br




